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A fé que move morros

Fiéis se reúnem no Morro da Conceição, no Recife, para orar e agradecer à padroeira da cidade Júlio Gomes/LeiaJá

De todos os cantos, de todas as idades e histórias de vida, fiéis se reúnem no Morro da Conceição, na zona Norte do Recife, para rezar suas preces e agradecer pelas bençãos alcançadas à padroeira afetiva da cidade, Nossa Senhora da Conceição, celebrada na próxima sexta-feira (8). A Festa do Morro acontece há 119 anos, recebendo milhares de pessoas no Santuário Nossa Senhora da Conceição, e teve início esse ano no dia 28 de novembro. O LeiaJá compareceu ao local na última terça-feira (5) para conhecer algumas histórias que sobem as ladeiras do morro. 

Uma delas é da aposentada Maria de Fátima, de 59 anos, moradora do município de Vitória de Santo Antão, na zona da Mata do estado. Apesar de não morar no Recife, ela sobe o Morro todos os anos para agradecer e pedir proteção da santa para si e sua família. “[Nossa Senhora] me ajudou sempre, nas minhas horas difíceis. Está comigo e sempre foi um acalanto, uma força, um impulso maior em minha vida e na vida dos meus filhos também. E agora dos meus netinhos, que eu os entrego sempre”, contou a devota.  

Maria de Fátima sobe o Morro todos os anos, há mais de 20 anos. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá 

Mãe de três e avó de cinco, dona Maria de Fátima compareceu ao Santuário acompanhada da nora, que mora no Rio de Janeiro, e visita a família nas festas de fim de ano. “[Meus filhos] estão vindo grandes, com esposa, com filhos. Vejo a fé das pessoas. A fé nos conduz às coisas boas, aos caminhos perfeitos, faz de você uma pessoa melhor a cada dia, ela lhe faz melhor que sempre. A humildade é assim. Eu acredito que ele fica bem, bem maior dentro do seu coração”, compartilhou.  

Fé que paga promessas  

Além de agradecer e fazer orações aos pés de Nossa Senhora, as celebrações do Morro da Conceição também são aproveitadas pelos fiéis para pagar promessas feitas à santa. É o caso de dona Jaciara de Albuquerque, de 52 anos, moradora do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, que foi vista pela reportagem subindo as ladeiras do morro de costas. Há cerca de dois anos lhe foi apontado um problema de saúde do qual ela teria de ser submetida a uma cirurgia, e aguardava na fila do Sistema Único de Saúde (Sus). “Já subi o Morro uns três anos atrás. Agora fiz uma promessa pra subir hoje”, contou.