encontrando o equilíbrio na era da conectividade

André Telis

No frenesi da vida moderna, onde estamos constantemente conectados, o conceito de “detox digital” emergiu como um clamor por uma pausa do mundo virtual.

Assim como nossos antepassados buscavam refúgio em fazendas e sítios para se desconectar do agito das cidades, hoje, a necessidade de um afastamento digital se tornou crucial para nossa saúde mental e bem-estar.

Mesmo depois de apenas uma hora de tela diariamente, crianças e adolescentes podem começar a ter menos curiosidade, menor autocontrole, menos estabilidade emocional e maior incapacidade de terminar tarefas, relatou Jean Twenge, psicólogo da Universidade Estadual de San Diego e Keith Campbell, professor de psicologia da Universidade da Geórgia.

A Infobase Interativa reuniu pesquisas publicadas pelas empresas e veículos Brandwatch, Campaign US, Fast Company, KOMO News, Origin, RSPH e SELF sobre os hábitos de consumo digital do jovem que está cada vez mais avesso a problemas causados pelo uso abusivo das redes, como falta de produtividade, atenção, aumento de ansiedade, depressão, queda de autoestima e outros.

Vejam os números:

72% acreditam que as redes sociais diminuem a concentração das pessoas.

68% admitem que essas plataformas fazem com que se sintam ansiosos, tristes e depressivos.

29% afirmam que as redes sociais prejudicaram sua autoestima ou ficaram inseguros.

22% sentem FOMO (Fear of Missing Out), aquele sentimento de estar sempre perdendo alguma coisa que está acontecendo.

O Paradoxo da Conectividade

Vivemos em uma era em que a tecnologia permeia todos os aspectos de nossas vidas. Desde smartphones até dispositivos inteligentes, estamos constantemente conectados à internet e às redes sociais. Este hiperconectivismo trouxe inúmeras conveniências, mas também desafios significativos para nossa saúde emocional e psicológica.

Um artigo do G1 ressalta que o detox digital pode ser uma meta desafiadora, muitas vezes parecendo inalcançável. A dependência de dispositivos eletrônicos tornou-se tão arraigada que se desconectar completamente pode parecer um feito quase impossível. No entanto, é essencial encontrar um equilíbrio saudável entre estar online e offline para preservar nossa saúde mental.

Retornando à calma interior

Assim como nossos avós encontravam paz e serenidade nas vastas extensões rurais, o detox digital oferece uma oportunidade para recuperar a clareza mental e reduzir o estresse. Desligar os dispositivos por um período determinado pode permitir que reconectemos com nós mesmos, com nossos entes queridos e com o mundo ao nosso redor de uma maneira mais profunda e significativa.

Estratégias para um detox digital efetivo

Para aqueles que desejam embarcar nessa jornada de desintoxicação digital, aqui estão algumas dicas práticas:

  1. Estabeleça limites claros: determine horários específicos do dia para estar online e reserve momentos para desconectar completamente.
  2. Crie espaços livres de tecnologia: designe áreas em sua casa ou no trabalho onde dispositivos eletrônicos não são permitidos.
  3. Pratique atividades desconectadas: dedique-se a hobbies que não envolvam telas, como ler um livro, caminhar ao ar livre ou meditar.
  4. Promova conversas face a face: priorize encontros pessoais e conversas presenciais para fortalecer conexões reais.

O detox digital não se trata apenas de limitar o tempo gasto online, mas sim de recuperar o controle sobre como utilizamos a tecnologia em nossas vidas. Assim como nossos antepassados buscavam refúgio na simplicidade da natureza, podemos encontrar paz e rejuvenescimento ao abraçar períodos de desconexão digital. Ao fazê-lo, cultivamos um equilíbrio essencial entre o mundo digital e o mundo real, promovendo um bem-estar mais profundo e duradouro.

Lembre-se, o poder de desconectar está em suas mãos. Vamos aproveitar essa oportunidade para cuidar de nossa saúde mental e redescobrir a serenidade em meio à agitação do mundo moderno.

André Telis de Vilela, é médico, cirurgião cardiovascular, doutor em medicina pela UNIFESP e professor da UFPB. Colunista de saúde do Jornal da Paraíba, Tv Cabo Branco e rádio CBN